domingo, 18 de setembro de 2011

E o mico da semana vai para...

Desde domingo passado eu estava querendo comentar o Miss Universo 2011. Para comemorar os 60 anos do concurso, Donald Trump desembarcou no Brasil com suas 89 beldades. Depois de alguns dias passeando em terras tupiniquins, a apoteose aconteceu em São Paulo. 

Com transmissão para 200 países, a escolha da mulher mais bela do planeta prometia divulgar o Brasil para um público estimado de dois bilhões de espectadores. Bacana. Para compensar a falta de borogodó da nossa representante Priscila Machado, foram feitas duas escalações de peso: a axezeira Cláudia Leitte e a demi-brasileira toda bossa-nova Bebel Gilberto. O que ninguém imaginava é que as atrações brazucas cantariam em inglês!  

Tive pesadelos a semana inteira com a Claudia Leitte vestida de galinha de despacho, cantando e dançando a música inédita Locomotion Batucada – antes tivesse continuado inédita! A baiana parecia uma autêntica cruza de Beyoncé com Painho. Vergonha alheia.


Quando eu achava que não podia piorar, apareceu a sobrinha do Chico Buarque vestida com um tubinho de paetês cantando Close Your Eyes a la Cabaret, enquanto as misses exibiam seus não menos cafonas trajes de gala. Caracoles, o que será que nos espera na Copa 2014 e nas Olimpíadas 2016? Vão botar o Luan Santana cantando She is Carioca, que medaaaaaaa!

Não posso deixar de registrar o “talento” da nossa miss, estudante de jornalismo e namorada do aprendiz de André Marques. Além de branquela e magriça, a moça adotou um penteado antiguinho e desfilou com um longo piriguete amarelo de chorar no cantinho. Não fosse o concurso na pataxolândia, a gaúcha de Canoas nunca chegaria na final... 

Montada e travada, a Miss Brasil deu seu golpe fatal quando respondeu à pergunta do piloto Hélio Castroneves: O que você faria para evitar uma guerra que você não concorda com ela? (a tradução da pergunta doeu nos ouvidos) “Antes de mais nada, ia explicar às pessoas que a principal qualidade do ser humano é o respeito. Qualquer guerra é baseada na falta de respeito, de educação e de humanidade. Como ser humano, devo respeitar o outro ser humano", sentenciou, em gauchês, a futura colega de profissão. Meldels, mais vergonha alheia.

A noite de domingo terminou com a vitória da belíssima angolana Leila Lopes, numa final politicamente mais que correta: uma africana, duas asiáticas, uma latina e uma européia. Todas morenas, que meu protesto fique registrado nos autos (e a cota para loiras??????)

O assunto, no entanto, ainda rendeu o grande mico da semana. Ao comentar a vitória da angolana, a apresentadora Claudete Troiano, do Manhã Gazeta, mandou um beijo para a atriz brasileira homônima da Miss Universo (e que se suicidou há dois anos).

"Um beijo pra você Leila Lopes. Por onde será que anda a Leila Lopes, a atriz?", disse a louca. Imediatamente, o colega de bancada Marcelo Bandeira falou “Ela faleceu". Claudete tentou consertar e ficou pior a emenda que o soneto: "É mesmo? Não fiquei nem sabendo". Vergonha alheia em grau máximo. Vade retro, Donald Trump!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Os grilhões que nos forjava...

Perdi a esquadrilha da fumaça...Todo ano assisto de camarote ao showzinho dos militares camicase (a laje proporciona uma visão privilegiada do espetáculo que acontece na Esplanada no Dia da Independência). Hoje dormi demais, que pena...

Para mim, 7 de setembro sempre foi sinônimo de festa. Quando era criança, em Porto Alegre, lembro que a cidade parava para ver a marcha (estamos falando dos anos 70, em plena ditadura militar). Eu estudava em colégio de padres, tinha folga nesse dia. Pensa que eu achava isso bom? Eu tinha era inveja das minhas irmãs, que estudavam em escola pública e eram obrigadas a participar da Parada da Independência. 

A Dadá, tadinha, era mais uma soldadinha naquele exército de crianças. Mas a Mirela, ah, a Mirela era baliza! Ela tinha uma roupa especial, linda de morrer, com direito a chapéu e polainas brancas!!!!! (pensando bem, as paquitas usavam o mesmo uniforme nos anos 80...). Pois a Mirela desfilava maravilhosa em frente à banda, coreografia ensaiadíssima, com direito a piruetas e estrelinhas – era, bem dizer, a madrinha da bateria!!!!!

Eu sequer sabia o Hino Nacional de cor (até hoje não sei), que dirá o Hino da Independência: "Os grilhões que nos forjava, da perfídia astuto ardil..." (alguém me explica essa letra, plisssssssssssssssss). Mas como eu adorava aquela função toda! Acho que é por isso que também adoro me pendurar na laje para acompanhar cada pirueta da esquadrilha da fumaça. Sabor de infância... Este ano eu perdi, que peninha. Vou buscar sabor de infância num pacote de jujuba. Fui!